quinta-feira, 19 de novembro de 2009

E Porto chora!
















Dia de chuva pra mim tem significados especiais. Parece que as coisas deixam de funcionar e outras afloram, desabrocham lá de dentro. Na minha cidade, quando chove é motivo pra ficar mais dez minutinhos na cama e chegar um pouquinho atrasado no trabalho. O ritmo desacelera e objetivos pragmáticos que contam nosso tempo minunciosamente durante todo o dia, dão lugar a percepcões adormecidas. Porto estar chorando quase todos os dias. Hoje suas lágrimas desviaram meus objetivos talvez nem tanto pragmáticos. Hoje é domingo e domingo, pelo calendário de padrões sociais, não é dia de objetivos pragmáticos, sendo dia marcado e permitido para sairmos da rotina, ou seja, entrar em outra rotina, a rotina do domingo. Queria dar um passeio pela cidade de Braga, cerca de uma hora de comboio (trem), e foi então que Porto estava a chorar. Claro que continuei a dormir debaixo do meu super edredon. Acordei mais tarde e resolvi ir em busca de internet. Estou aqui a dois meses e esta busca para puglar-me a rede tornou se constante, provocando sensações estranhas de anciedade, como se estivesse fora de algo bem maior e que me ajudava a manter-me aqui tão longe de casa, longe dos meus. Por outro lado, este meu desligamento, foi bom, pois fez-me enxergar outras coisas que apagam se nesta nossa frenetica ligacao com essa tal rede. Assim, se não fosse essa falta de net, eu não teria feito um gostoso passeio pelo jardim do Palácio de Cristal. Foi aquele tipo de passeio que não programamos, mas se encaixa bem naquela hora, naquele momento exato. A chuva tinha dado uma trégua e estava ventando muito. Não sabia que tinha um paraiso ao atravessar a rua da minha morada. Por entre lagos e plantas caminhei em direção ao rio Douro, as árvores balançavam muito com o vento forte anunciando mais chuva. Naquele clima molhado transportei-me por um instante para uma serra encantada bastante familiar, a minha Pasárgada. Pensei em pessoas queridas e senti uma sensação de aconchego. Bom, foi então que o vento trouxe a chuva... Atravessei a rua e voltei para casa. Aceitei o que a chuva tinha me trazido, um domingo nostálgico de sensações até então adormecidas. Quando entrei em casa o telefone toca, eram meus pais, eles estavam lá na tal serra encantada, na Pasárgada. Desliguei e pensei: que poderosa essa minha internet. Na verdade nunca estamos desligados totalmente de uma rede bem maior e mais humana.


Foto: Carlos Rebelo



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