quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Performance Saia de pedras




Performance ocorrida no dia 29 de maio de 2011, na cidade do Porto-Portugal, na 8a edição do evento “Serralves em festa”, evento anual que ocorre em Serralves, instituição cultural que tem como missão sensibilizar o público para a arte contemporânea e o ambiente, através do Museu de Arte Contemporânea como centro pluridisciplinar. A intervenção foi realizada com a ajuda de amigos que fizeram todo o registro da ação. Durante cerca de duas horas andei pelos espaços do jardim onde ocorriam espetáculos de dança, teatro e música. Vestida de branco e com o rosto pintado de branco, tinha o objetivo de ser um corpo anônimo, mas não completamente pois carregava uma saia de pedras. Eram saquinhos brancos e trans- parentes que traziam pedras com o nome “Brasil” cuidadosamente escritos em branco em cada uma delas. Eram trinta pedrinhas que dispostas em minha cintura formavam uma pequena saia.

A performance consistiu em percorrer o jardim e abordar as pessoas. Perguntava-as: Qual a tua idéia de Brasil? Pedia-as para responder com uma palavra escrita em um pequeno papel que depois guardava-o em um dos saquinhos juntamente com a pedra, escolhida por elas mesmas. Depois disso as presenteava com um saquinho com uma pedra dizendo-lhes: “Ofereço-te uma outra idéia de Brasil, pode parecer muito dura e estável, mas é só ter um pouco de paciência que ela se desfaz e se transforma. Obrigada.” Outras vezes falava: “Minha saia pesa, preciso que você me ajude.” Uma mulher disse que ajudava com todo o prazer e que nós brasileiros estávamos aqui para alegrar este país. Como uma semeadora, fui aos poucos desfazendo minha saia e deixando pedras no caminho. Algumas coloquei em árvores, outras dei- xei em algum banco, as demais ofereci as pessoas que passavam por mim. As reações foram diversas, poucas pessoas recusaram-se em participar, a maioria parecia muito feliz com o presente. Talvez porque o lugar não era uma rua ou um espaço público comum e sim um espaço institucional onde aceitava-se e produzia-se arte ou discursos artísticos.

No final da ação, fui entrevistada por uma jornalista, foi quando tive oportunidade de explicar o que estava fazendo. É importante dizer que minha performance não fez parte da programação do evento, sendo realizada de forma independente. Queria aproveitar aquele público e experimentar, propor ques- tões, deixar minhas questões, interferir, dialogar, incitar curiosidades etc. O objetivo da performance foi construir um discurso poético sobre o conceito de identidade e todo o seu caráter mutável e dinâmico. Um discurso construído não só por mim, e sim proposto pelo meu corpo e produzido coletivamente no diálogo e nas ações acontecidas durante um breve percurso.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

sexta-feira, 5 de março de 2010

Estar ali...


Olha eu aqui eu de novo... São tantas coisas para contar, tantas coisas para dizer.. Se não fosse essa minha preguiça de escrever, este blog realmente tinha o que falar. Bom, mas nos contentemos com meu raro momento de coragem... Esses dois últimos meses foram fortes, intensos, e muito frios... Conheci pessoas maravilhosas, passei o ano com minha grande amiga Carmita que veio diretamente do Ceará com rapadura e farinha de tapioca, desbravar um pouquinho as terras de Cabral; finalizei projetos do primeiro semestre da faculdade; conheci a cidade encantada de Amsterdam, onde andei de bicicleta sobre as ruas branquinhas de neve, revi uma amiga querida, Carol, que mora em Rotterdam, onde passei três dias inesquecíveis; trabalhei bastante na produção de mais uma edição da super revista "Sustentação" na parceria maravilhosa de minha amiga e super jornalista Clarisse, sempre online, diretamente de Fortaleza; bati muita perna atrás de uma nova morada de preferencia com janelas grandes para a rua e próximo da boemia da cidade; vivi um legítimo carnaval português na região dos Trás dos Montes, a contive de uma grande amiga, Paulinha. Enfim, foram dois meses bem vividos. E hoje estou aqui com um bocadinho de coragem para escrever, principalmente porque deparei-me que já fazem sete meses que estou nestas terras distantes que já não me parecem tão estranhas.. Sinto-me parte dela. Cheguei em casa agora depois de ter caminhado as pressas para o Teatro Rivoli onde estar acontecendo um Festival de cinema, que não consegui ir nenhum dia por causa de coisas para fazer.. Coisas e coisas... cheguei atrasada, a fila estava enorme e os ingressos esgotados. Enfim não consegui assistir o filme novamente. Fui tomar uma cerveja com Vivi, kkk... Bem, por algum motivo tínhamos tido a coragem de sair de casa num frio danado e um tempo chuvoso. Tínhamos que comemorar o fato de estar ali. Falamos sobre a experiência de percebermos nós mesmos, de encararmos aspectos nossos que não percebíamos há pouco tempo atrás. Maneiras de agir que mal sabíamos que nos pertenciam. Lidar com nós mesmos, estar só. Isso aos olhos de muitos é sinônimo de sofrimento, Penso que isto é tão importante quanto estar acompanhado por pessoas queridas, que te conhecem bem e que te amam. Todos precisam ter solidão. Todos precisamos estar sozinhos. Estou percebendo que sei lidar com essa minha parte solitária. Deparei-me que sei lidar tanto com ela que tive medo de ser taxada socialmente como uma pessoa solitária. É forte e pesado essa designação. Você não pode! Não é permitido no estatuto da felicidade ser uma pessoa solitária. Tem que estar sempre em contacto, tem que estar envolvido numa rede de contactos, quanto mais extensa melhor. Facebooks, orkuts, blogs, sites, flirks, mikes, mokas, mukas e outros mais. Por mais que você fale com poucos, mas tem que mostrar que estar ali. E é nessa história de tanto mostrar que estar ali que se esqueci do principal, de estar aqui.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Título... "Stop, conta a tua história!"

Contextualização...

Partindo do foco entre identidade e memória, a proposta de intervenção que descreverei mais a frente, procura evidenciar a relação indissociável entre os espaços e os sujeitos. Os elementos móveis de uma cidade, especialmente as pessoas e as actividades são tão importantes como as suas partes físicas e imóveis, sem descurar a abordagem sensitiva onde cheiros, sons, imagens, ritmos povoam o imaginário constante dos lugares.

No sentido de conhecer a forma como as pessoas que transitam o Centro Comercial STOP se apropriam do espaço, na configuração dos limites, percursos diários, pontos marcantes, centralidades, lugares de referência, pretende-se utilizar a produção de imagem como instrumento de análise e produção de um discurso identitário do lugar. Através deste discurso podem-se descortinar estruturas simbólicas que identificam o STOP enquanto lugar de interacções, memórias e vivências quotidianas.

Ao contrariar a identidade do lugar na sua qualidade de ligação emocional, de experiências e história, o não-lugar, de Marc Augé (1994), resulta dos excessos da sobremodernidade e representa os espaços públicos de rápida circulação, transitórios e desprovidos de identidade.

Desta forma, irá o STOP ao encontro da ideia de um não-lugar, enquanto ausência de referenciais afectivos, espaciais e temporais na narrativa pessoal e colectiva, ou em contrapartida irá de encontro a esta ideia apresentando quadros sistémicos das relações sociais que decorrem numa comunidade?

Actualmente há certa hibridação que caracteriza estes espaços suburbanos que protagonizam, simultaneamente, sentimentos de pertença locais e referências urbanas emergentes. O conceito de local globalizado de Michel Agier explica-nos que o processo de criação cultural, na fabricação de um imaginário urbano, encontra-se disseminado, sob efeito das dinâmicas da globalização, ultrapassando os limites da cidade, numa espécie de “dissociação entre os lugares, as identidades e as culturas” (SILVA apud AGIER, 2001: 21).

Marc Augé fala também de lugares antropológicos (1994) para retratar este espaço identitário, histórico, de encontro e referência afectiva, revestido de sentido, em oposição à ideia do não-lugar. Para o autor, dotar o lugar de identidade passa por revolver o seu passado enquanto lugar da memória.

Assim o STOP pode vir a ser um espaço de encontro coletivo, um lugar antropológico, inserido num contexto urbano, que na maioria de seus espaços impulsionma uma possível diluição de memórias colectivas e uma crescente individualização.

Desta maneira podemos perceber o STOP como um lugar de memória, permanentemente preservado e revitalizado por uma particular dinâmica de grupos vivos, permitindo, desta forma, a identidade e a diferenciação dele próprio.


Enquadramento...

Assim como um espaço alternativo e não institucional, que desenvolveu-se a partir de experiências espontâneas de vários grupos de músicas da cidade do Porto, a presente proposta de intervenção pretende produzir um livro memorial do lugar (formato digital). Este livro teria como matéria prima o registro fotográfico dos pormenores das salas de ensaios, como: imagens fotográficas, recortes de revistas, objetos etc, os quais carregam vestígios memoriais das pessoas que convivem naqueles espaços. Como uma "espiada pela fechadura" as portas dos estúdios, o livro compilaria conteúdos curiosos acerca das bandas, os quais poderiam localizar o Centro Comerial STOP como espaço importante na história da música da cidade do Porto. Juntamente com as imagens pretende-se utilizar também áudio de testemunhos das pessoas, fazendo com que as imagens falem mais do que por elas mesmas. Assim, fugindo de uma historicização institucional e tradicional, pretende-se ouvir a história daquele lugar pelas falas das próprias pessoas que se relacionam de alguma forma com aquele espaço, sendo músicos ou não. As informações obtidas podem compor um mosaico em que se fundem no presente vivido, um passado e um futuro, tanto do STOP, como da própria relação deste com a cidade.

A forma digital vem como uma maneira mais apropriada nos dias de hoje, em que verificamos a facilidade de acesso e distribuição de informação via internet, como também o aspecto de transitoriedade é verificado neste meio. Criticam-se muito os aspectos fugazes e efémeros do meio digital na actualidade, porém podemos utiliza-los ao nosso favor quando percebemos que já não há lugar para certezas históricas. Sabemos que uma das posturas mais fortes na ideologia dominante contemporânea é, exatamente, a ênfase na sobreposição de fronteiras e a ênfase na impossibilidade de estabelecer-se campos, conceitos e categorias definidas. Então para este projecto o formato digital seria então possível de ser manipulado e alterado, seguindo a dinâmica do próprio lugar.

A recolha documental seria realizada em plena interacção com os sujeitos, os quais dão significados ao lugar. Assim na imagem documental é ético mostrar o processo de representação, não é ético construir a representação para sustentar a opinião correcta. O trabalho pretende ter este importante cuidado na recolha do material iconográfico.

Apesar do principal objectivo do projecto ser a busca de falas multifacetas, todas as falas tem o espaço STOP como referência, sendo este o local comum destas falas, onde se convergirão. Além disso outro ponto importante a se colocar é o processo de recolha. Neste é impossível apresentar-se como um trabalho neutro por parte de quem fará a recolha, havendo sempre um factor subjectivo deste que vai se evidenciar na selecção, no layout, selecção de audio etc. O processo pode ser semelhante ao filme documentário, onde verificamos que parte-se necessariamente de uma busca àquilo que é externo ao cineasta. Essa busca envolve, necessariamente, uma negociação prévia, para a viabilização do registro, que marca o início de um processo de troca entre um “eu” e um “outro”. O registro dessa troca obedecerá sempre o comando do diretor do filme responsável pela maioria das decisões de filmagem. De posse de todo o material captado, será apenas na sala de montagem que o diretor, assessorado por seu montador, terá total controle do universo de representação do filme. O percurso é marcado pela perspectiva daquilo que está por vir, a captura de um real que gradualmente vai sendo moldado até se transformar em filme. Estamos falando da construção de um discurso sedimentado em ocorrências do real. Se existe um discurso, o filme, quer seja ele narrativo ou não, existirá sempre alguém que o profere, um sujeito da enunciação.


Objetivos... 1. Contribuir para iniciar um movimento de composição da história viva do local através do registro fotográfico dos pormenores das salas do STOP; 2. Contribuir para uma pretensa interação entre os diferentes grupos que frequentam o STOP, como também entre este e outros espaços da cidade (externo); 3. Contribuir para legitimar o STOP como espaço de fomentação de movimentos da cultura musical da cidade do Porto.

Conteúdos... Por meio de um processo de metalinguagem fotográfica (foto da foto) pretende-se recolher os registos e imagens que são espólio dos habitantes do Stop. Acompanhado destes registros pretende-se recolher áudios com testemunhos acerca das imagens.

Concretização... Na primeira fase o projeto pretende fazer uma recolha através do registro fotográfico. Paralelamente também se recolheria depoimentos sobre cada ma disponibilizado terial(imagem). Materiais estes que serão, num segundo momento, comportados em um livro digital que seria no site do STOP. Materiais recolhidos: Fotografias de imagens fotográficas, recortes de revistas, objetos etc, ou seja, material esquecido ou que compõem os layouts improvisados\espontâneos das salas; Áudio (pequenos relatos dos habitantes sobre as imagens).



Referências...


AUGÉ, Marc. Não-lugares: Introdução a uma antropologia da supermodernidade. Campinas-SP: Papirus, 1994.

SILVA, Maia Sofia. Que Identidades em canelas? Percepções Sensíveis do Espaço Social numa freguesia de Vila Nova de Gaia. Comunicação apresentada no Congresso Turismo Cultural, Territórios e Identidades | Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Leiria. 2006


SOARES, Sérgio J. Puccini. Documentário e Roteiro de Cinema: da pré-produção à pós-produção. Tese apresentada ao Programa de Pós- Graduação em Multimeios do Instituto de Artes, Universidade Estadual de Campinas, para obtenção do título de doutor em Multimeios. 2007.



*Projeto STOP, desenvolvido no Mestrado de Design da Imagem da Universidade do Porto-Portugal, na Disciplina de Dispositivos Visuais. Prof. Anselmo Canha.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Tipografia






*Projeto tipográfico a partir de filmes

Logomarcas





*Projeto Contextualização e Descontextualização de Logomarcas. Técnica manual

Vinil


*Projeto Som Imagem | vinil e cartaz